“Reflections of a Floating World” marca um ponto de maturidade e expansão criativa na trajetória do Elder, consolidando a banda como uma das mais inventivas dentro do espectro do rock psicodélico e progressivo contemporâneo. Lançado em 2017 por meio da Stickman Records na Europa e da Armageddon Label nos Estados Unidos, o quarto álbum de estúdio é uma obra que transcende rótulos fáceis, transitando entre a densidade do stoner, a amplitude exploratória do prog e a fluidez atmosférica do rock psicodélico.
As seis faixas, todas longas e de estrutura complexa, revelam um grupo que domina a arte da transição e do contraste. O trio central formado por Nicholas DiSalvo, Jack Donovan e Matt Couto apresenta uma coesão notável, com cada instrumento contribuindo para a construção de narrativas sonoras que se desdobram em camadas. O trabalho de DiSalvo nas guitarras e teclados é o eixo criativo, sempre conduzindo as composições de forma a equilibrar riffs pesados e melódicos com passagens etéreas e expansivas. O baixo de Donovan sustenta a amplitude dos arranjos com firmeza e groove, enquanto a bateria de Couto dá ao álbum um senso de movimento constante, alternando precisão técnica e força expressiva.
A inclusão dos músicos convidados Michael Risberg na guitarra e teclados e Michael Samos no pedal
steel foi crucial para ampliar a paleta sonora. O pedal steel, em particular, introduz uma dimensão inusitada, quase cósmica, que reforça o caráter flutuante e hipnótico do disco. Essa escolha demonstra a busca do Elder por um som não apenas mais denso, mas também mais texturizado, com camadas que se entrelaçam de forma orgânica.
Tecnicamente, “Reflections of a Floating World” impressiona pela produção clara e equilibrada, que consegue dar espaço a cada detalhe mesmo em meio à intensidade dos arranjos. As mudanças de andamento e dinâmica acontecem sem rupturas bruscas, o que reforça a habilidade do grupo em construir músicas de longa duração sem perder coesão ou propósito. Os momentos de improviso e jam são moldados com inteligência, permitindo tanto explosões catárticas quanto atmosferas meditativas.
O álbum reafirma a identidade do Elder como uma banda que não teme se reinventar dentro de seus próprios parâmetros. O caráter progressivo não se limita a referências técnicas, mas se traduz na maneira como as faixas parecem se expandir em todas as direções, sugerindo paisagens sonoras vastas e em constante mutação. “Reflections of a Floating World” é, portanto, mais do que uma coleção de músicas; é uma experiência auditiva que exige entrega total do ouvinte, recompensando-o com uma viagem musical intensa, ambiciosa e profundamente inspirada.
Sanctuary
A abertura do álbum já demonstra a ambição do Elder em trabalhar com amplitudes largas. A faixa se constrói a partir de riffs densos, que se alternam com passagens mais contemplativas, quase etéreas. O diálogo entre guitarras cria uma sensação de expansão constante, enquanto o teclado acrescenta texturas cósmicas que reforçam a atmosfera psicodélica. O baixo pulsa com firmeza, conectando os momentos de explosão e calmaria, enquanto a bateria conduz com variações que evitam qualquer linearidade. É um início grandioso, que posiciona o ouvinte dentro do universo sonoro flutuante proposto pela banda.
The Falling Veil
Aqui o Elder explora ainda mais o aspecto progressivo. A canção apresenta uma estrutura mutante, com mudanças de andamento que mantêm a narrativa sempre em evolução. Os riffs assumem uma função quase narrativa, alternando peso e melodia. O trabalho de teclado e guitarra adicional de Risberg amplia o espectro harmônico, criando momentos em que a música parece respirar, abrindo espaço para paisagens sonoras amplas. O pedal steel surge discretamente, adicionando um caráter etéreo, como se fosse um eco distante.
Staving Off Truth
Com um início mais direto e riffs mais marcantes, essa faixa introduz um senso de urgência dentro do álbum. A bateria de Couto é um ponto alto, conduzindo com energia e precisão, enquanto o baixo sustenta linhas sólidas que ancoram a complexidade melódica das guitarras. Os vocais aparecem como um elemento integrado à instrumentação, não como centro da faixa, mas como mais uma camada dentro da massa sonora. A densidade é equilibrada por interlúdios atmosféricos que evitam o desgaste e ampliam a dramaticidade.
Blind
Talvez a canção mais dinâmica do álbum, alterna momentos pesados com seções flutuantes que exploram bem a proposta psicodélica. O pedal steel aqui ganha maior protagonismo, criando um contraste belíssimo com os riffs de guitarra mais ásperos. A faixa se desdobra em uma narrativa longa, em que cada transição de tempo e dinâmica funciona como um capítulo de uma história maior. É uma das composições que melhor exemplificam a habilidade do Elder em unir força e delicadeza.
Sonntag
Funciona quase como um interlúdio instrumental e meditativo dentro do disco. Com forte influência do krautrock e da música ambiente, apresenta uma repetição hipnótica e camadas eletrônicas que sugerem uma suspensão temporal. É um momento de respiro essencial, que prepara o terreno para o encerramento grandioso. A peça mostra o quanto o Elder domina não apenas a linguagem do rock pesado, mas também a construção de atmosferas imersivas.
Thousand Hands
O encerramento é monumental, reunindo todos os elementos que permeiam o álbum. Longa e multifacetada, a faixa se inicia com riffs pesados e cresce em intensidade, alternando passagens de groove denso com seções atmosféricas expansivas. O teclado se integra de maneira natural às guitarras, criando uma tapeçaria sonora rica e cheia de movimento. A bateria mantém o equilíbrio entre força e sutileza, conduzindo a faixa rumo a um clímax arrebatador. É um fechamento à altura da proposta do álbum, deixando a sensação de que a jornada sonora continua ecoando mesmo após o silêncio final.
“Reflections of a Floating World” é um marco na discografia do Elder porque condensa toda a
trajetória da banda até então e a projeta para um território ainda mais expansivo. Nos primeiros trabalhos, como “Elder” (2009) e “Dead Roots Stirring” (2011), o grupo já demonstrava habilidade em criar composições longas, carregadas de riffs densos e atmosfera psicodélica. Com “Lore” (2015), essa proposta foi elevada a um nível mais progressivo, estruturando faixas como verdadeiras narrativas musicais. Em “Reflections”, contudo, a banda atinge uma síntese notável: o peso característico permanece, mas há um refinamento nas transições, maior clareza na produção e uma paleta de timbres enriquecida pela participação dos músicos convidados.
A evolução se percebe especialmente na forma como o Elder lida com a dinâmica e a textura. As guitarras de Nicholas DiSalvo não são apenas veículos de riffs pesados, mas exploram espaços melódicos, harmonias expansivas e diálogos sutis com teclados e pedal steel. O baixo de Jack Donovan ganha importância ao sustentar passagens mais etéreas sem perder densidade, e a bateria de Matt Couto revela maturidade ao variar entre explosões vigorosas e conduções mais contidas, sempre em função do clima da faixa.
Outro aspecto notável é a produção, que consegue equilibrar clareza e força. Cada instrumento encontra espaço na mixagem, mesmo nos momentos de maior densidade. A escolha de timbres é fundamental para o caráter flutuante do disco, em que os contrastes entre passagens atmosféricas e seções pesadas se integram de maneira natural. O uso do pedal steel por Michael Samos adiciona uma camada inédita na sonoridade da banda, criando texturas quase espaciais que ampliam a noção de profundidade.
Do ponto de vista estrutural, o álbum demonstra um domínio crescente sobre composições de longa duração. Não há repetições gratuitas: cada trecho cumpre a função de expandir ou transformar o material temático, o que mantém o ouvinte em constante movimento. Essa habilidade é própria de grupos progressivos, mas o Elder a aplica sem perder a visceralidade do stoner e a atmosfera lisérgica do rock psicodélico.
Em termos técnicos, “Reflections of a Floating World” se sustenta pela integração entre complexidade e acessibilidade. As métricas alternadas, os riffs intricados e os arranjos multifacetados convivem com melodias memoráveis e momentos de pura contemplação. Esse equilíbrio é o que faz do álbum não apenas uma obra para ouvintes especializados em música progressiva, mas também uma experiência cativante para qualquer público disposto a mergulhar em um som que privilegia tanto a força quanto a beleza.
No resultado final, Elder entrega um trabalho que alia virtuosismo instrumental, consciência estética e identidade consolidada. “Reflections of a Floating World” não é apenas a reafirmação de uma fórmula, mas a expansão de um horizonte musical que coloca a banda entre os nomes mais consistentes e relevantes da cena psicodélica e progressiva do século XXI.
Novo álbum mergulha em melodias cativantes e atmosferas progressivas!
A banda norueguesa de metal avant-garde In The Woods... lançará seu sétimo álbum de estúdio, intitulado "Otra", em 11 de abril de 2025. O álbum estará disponível em diversos formatos, incluindo Digipak CD, um artbook de 2 CDs com 36 páginas, e versões em vinil de diferentes cores.
"Otra" apresenta uma sonoridade cativante, com melodias dominantes que refletem a evolução da banda desde os anos 90. Embora elementos progressivos e reminiscências de seu passado mais pesado ainda estejam presentes, o álbum destaca-se pela excelência na composição, demonstrando a maturidade artística da banda. As letras giram em torno de histórias relacionadas ao rio Otra, que percorre 245 quilômetros pelo sul da Noruega até desaguar no estreito de Skagerrak, na cidade natal da banda, Kristiansand.
O primeiro single do álbum, "A Misrepresentation of I", já foi lançado acompanhado de um videoclipe. Este single leva os ouvintes por uma jornada melódica, explorando batalhas internas e a dualidade entre luz e escuridão.
A formação atual da banda conta com Anders Kobro na bateria, Bernt Fjellestad nos vocais, Kåre André Sletteberg nas guitarras e teclados, Bernt Horne Sørensen nas guitarras e Nils Olav Drivdal no baixo.
Para promover "Otra", o In The Woods... iniciará a turnê "Amidst the Ruins Tour" em abril de 2025, com datas já confirmadas em cidades europeias como Graz, Munique, Praga e Paris.
A banda alemã Chandeen lançou recentemente seu novo álbum, intitulado "The Last Glimpse of Your Life", em 24 de janeiro de 2025. Este trabalho apresenta oito faixas que exploram sonoridades características do grupo, mesclando elementos de dream pop, ambient e indie pop. O álbum inclui as seguintes músicas:
1. Exhale
2. The Bubbles Blown
3. Broken Soldiers
4. I See Things Clear Enough
5. Coming Of Age
6. The River
7. Somebody Else (Monsters & Dolls)
8. Red-Eye/24
A faixa "Exhale" foi lançada como single em janeiro de 2025 e, segundo a banda, "ocupa um lugar especial em nossos corações (...) é uma reflexão agridoce sobre os momentos em que a perda parece avassaladora, mas também sobre encontrar a força para continuar respirando, sentindo e seguindo em frente".
"The Last Glimpse of Your Life" está disponível para streaming e download na plataforma Bandcamp, onde os fãs podem adquirir o álbum em formato digital ou em vinil de 180g, que inclui a faixa bônus "A Crack In The Ice".
Este lançamento marca mais um capítulo na trajetória do Chandeen, que desde 1990 vem cativando ouvintes com suas composições atmosféricas e emotivas.
Para conhecer mais sobre o trabalho da banda, confira o vídeo oficial de "Exhale":
BURDEN OF DESPAIR: A banda japonesa de Doom-Death/Hardcore anuncia álbum de estreia "Confutatis -原罪神授-"
A cena underground japonesa está em êxtase com o anúncio de "Confutatis -原罪神授-", o aguardado primeiro álbum completo da banda BURDEN OF DESPAIR. Marcado para lançamento no dia 26 de março de 2025, o álbum promete solidificar o legado do grupo como um dos nomes mais intensos do doom-death hardcore.
Formada originalmente no início dos anos 2000, BURDEN OF DESPAIR emergiu como uma força brutal na interseção do hardcore e death metal. Após um hiato de 15 anos, a banda ressurgiu em 2022 com o impactante EP "Shinsei Futanari -Desecration-", marcando seu retorno com uma sonoridade ainda mais pesada e atmosférica. O lançamento chamou atenção pela visceralidade e inovação, sendo descrito por Shoji, da icônica banda SECOND TO NONE, como um som que mistura "Torture Doom Death Metallic Hardcore", com influências do hardcore nova-iorquino e death metal, mas com um toque ainda mais lento e devastador.
O relançamento da demo de 2006 em formato de fita cassete pelo selo taiwanês Bad Moon Rising 惡月上昇 reavivou o interesse pela trajetória da banda. Desde então, BURDEN OF DESPAIR tem participado de apresentações ao lado de nomes proeminentes da cena pesada, como COFFINS, SLUG, EGO FIX, BIRUSHANAH e seus velhos aliados do SECOND TO NONE. Cada performance reforça sua capacidade de criar atmosferas opressivas, mas hipnóticas, deixando marcas profundas em seus ouvintes.
"Confutatis -原罪神授-" promete elevar essa intensidade a novos patamares. O título, que evoca conceitos de culpa original e julgamento divino, sugere uma exploração temática densa e perturbadora, alinhada com a estética brutal que caracteriza a banda. O trailer divulgado revela um vislumbre da sonoridade, com riffs esmagadores, vocais de desespero palpável e uma produção que captura a essência caótica do grupo.
Com "Confutatis -原罪神授-", BURDEN OF DESPAIR não apenas reafirma sua posição na cena musical extrema, mas também demonstra a força renovada de uma banda que soube usar o tempo como aliado, canalizando sua evolução em um trabalho que promete ser memorável.
O lançamento é aguardado ansiosamente, com fãs do doom-death hardcore ao redor do mundo prontos para testemunhar o próximo capítulo dessa jornada sonora sombria.